Seu Salão ou Barbearia Deve Escolher o Simples Tradicional ou o Modelo Híbrido em 2027?

Se você tem um salão de beleza ou uma barbearia no Simples Nacional, existe uma decisão importante chegando com a Reforma Tributária.

Mas antes de falar sobre ela, precisamos esclarecer algo:

não estamos falando em ficar ou sair do Simples Nacional.

Nos dois modelos que vamos explicar neste artigo, a empresa continua sendo optante pelo Simples.

O que muda é como IBS e CBS serão pagos.

De forma simples, teremos duas possibilidades:

Simples tradicional: IBS e CBS permanecem dentro da sistemática do Simples Nacional.

Modelo híbrido: a empresa continua no Simples Nacional, mas IBS e CBS são calculados e recolhidos separadamente, seguindo as regras do regime regular.

Se você ainda está começando a entender os impactos da Reforma, recomendamos primeiro nosso [GUIA COMPLETO SOBRE A REFORMA TRIBUTÁRIA NO MERCADO DA BELEZA], onde explicamos as principais mudanças para salões e barbearias.

Agora existe uma pergunta mais específica:

Simples tradicional ou modelo híbrido: qual faz mais sentido para meu salão ou minha barbearia?

Para o perfil predominante dos clientes atendidos pela Vegyo, nossa orientação inicial é manter IBS e CBS dentro do Simples Nacional, no modelo tradicional.

Mas existe uma terceira pergunta que não pode ser ignorada:

Será que o Simples Nacional ainda é o melhor regime tributário para sua empresa?

É por aí que uma boa análise deveria começar.


O Simples Nacional não vai acabar em 2027

Uma das dúvidas mais comuns entre empresários é se a Reforma Tributária vai acabar com o Simples Nacional.

Não.

O Simples continua existindo.

A mudança é que, com a entrada de IBS e CBS no novo sistema, as empresas optantes pelo Simples poderão lidar com esses tributos de formas diferentes.

É daí que surgem os dois modelos que estamos utilizando neste artigo.

Simples tradicional

A empresa continua no Simples e mantém IBS e CBS dentro da sistemática simplificada.

Modelo híbrido

A empresa também continua no Simples, mas escolhe recolher IBS e CBS separadamente, pelas regras do regime regular.

Portanto:

modelo híbrido não significa sair do Simples Nacional.

Nos dois casos, a empresa continua no Simples. O que muda é o tratamento de IBS e CBS.


Afinal, o que são IBS e CBS?

Você provavelmente ouvirá bastante essas duas siglas nos próximos meses.

A CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços é o novo tributo federal sobre o consumo.

O IBS — Imposto sobre Bens e Serviços integra a nova tributação estadual e municipal sobre o consumo.

Mas o dono de um salão ou barbearia não precisa virar especialista em legislação tributária para entender a decisão que terá pela frente.

O mais importante é saber:

se sua empresa permanecer no Simples Nacional em 2027, existirá a possibilidade de manter IBS e CBS dentro da sistemática simplificada ou optar pelo recolhimento regular desses dois tributos.


Como funciona o Simples tradicional?

Esse é o modelo mais próximo da lógica que o empresário já conhece.

Hoje, uma empresa optante pelo Simples tem vários tributos reunidos dentro de uma sistemática simplificada.

No modelo que estamos chamando de Simples tradicional, IBS e CBS permanecem dentro dessa lógica.

Para o empresário, a principal característica é:

preservar uma tributação mais simplificada.

É justamente esse o modelo que, inicialmente, a Vegyo tende a recomendar para a maior parte dos salões e barbearias que atende.

Mas existe uma característica importante:

ao manter IBS e CBS dentro do Simples, a empresa não entra na sistemática regular de aproveitamento dos créditos desses tributos nas próprias compras.

Para entender por que isso importa, precisamos falar sobre crédito.


Como funciona o modelo híbrido?

Agora imagine outra situação.

Seu salão continua sendo optante pelo Simples Nacional.

Mas IBS e CBS deixam de ser tratados dentro da sistemática simplificada e passam a seguir as regras do regime regular.

Ou seja:

a empresa continua no Simples para os demais tributos, mas IBS e CBS passam a ser calculados separadamente.

É por isso que estamos chamando essa opção de modelo híbrido.

Uma das principais diferenças é que a empresa passa a participar da lógica regular de débitos e créditos de IBS e CBS.

Parece complicado?

Vamos traduzir.


O que é esse tal de crédito?

Imagine que uma empresa compre produtos e insumos para trabalhar.

No regime regular de IBS e CBS, determinadas aquisições podem gerar créditos tributários, observadas as regras aplicáveis.

Quando a empresa realiza suas próprias operações, esses créditos podem participar da apuração do imposto.

Essa possibilidade é importante na comparação entre tradicional e híbrido.

Mas existe outra pergunta que pesa bastante no mercado da beleza:

Quem é o seu cliente?


Seu cliente quer fazer o cabelo, não aproveitar crédito de imposto

Imagine uma cliente entrando em um salão.

Ela faz:

Mechas: R$ 600

Tratamento: R$ 150

e compra:

Shampoo: R$ 100

Total: R$ 850.

Agora imagine perguntar para essa cliente:

“Você escolheu esse salão porque quer aproveitar o crédito de IBS e CBS dessa operação?”

Provavelmente ela nem saberia do que você está falando.

Ela quer fazer o cabelo.

É consumidora final.

O mesmo acontece em uma barbearia.

O cliente paga R$ 80 pelo corte e vai embora.

Ele não vai utilizar aquela operação para aproveitar crédito tributário em outra empresa.

Essa característica diferencia bastante salões e barbearias de negócios que vendem predominantemente para outras empresas.

Se você possui um salão e quer entender os demais impactos da Reforma além dessa escolha, veja também nosso [CONTEÚDO SOBRE AS 7 PRINCIPAIS MUDANÇAS DA REFORMA TRIBUTÁRIA PARA SALÕES DE BELEZA].


Por que ser B2C pesa na nossa orientação?

Pense em uma empresa que vende principalmente para outras empresas.

Nesse tipo de operação, a possibilidade de crédito tributário pode ter relevância para o cliente.

Agora pense no mercado da beleza.

A cliente que faz:

cabelo;

unha;

maquiagem;

procedimentos de beleza;

ou o cliente que corta o cabelo e faz a barba

são predominantemente consumidores finais.

Eles não estão escolhendo o estabelecimento pensando no crédito tributário que receberão.

Por isso, para o perfil predominante dos negócios que atendemos, uma das possíveis vantagens do regime regular possui menor relevância na relação com o cliente final.

E isso pesa na nossa orientação.


Então a Vegyo recomenda o tradicional ou o híbrido?

Para salões e barbearias predominantemente B2C que permanecerem no Simples Nacional, nossa orientação inicial é:

Simples tradicional

Ou seja:

manter IBS e CBS dentro da sistemática do Simples Nacional.

Não estamos recomendando “ficar no Simples” em oposição ao híbrido.

Isso estaria errado, porque nos dois modelos a empresa continua no Simples Nacional.

Nossa recomendação é especificamente sobre o tratamento de IBS e CBS.

E nosso raciocínio inicial é simples:

não vemos motivo para adicionar mais complexidade à operação típica de um salão ou barbearia B2C sem existir uma vantagem concreta que justifique essa escolha.


Isso significa que o tradicional vai pagar menos imposto?

Não podemos afirmar isso neste momento.

E esse ponto é importante.

Nossa orientação não está baseada na promessa de que o Simples tradicional terá necessariamente a menor carga tributária.

Ainda precisamos considerar os parâmetros necessários para uma comparação efetiva entre os modelos.

Portanto, seria precipitado dizer:

“No tradicional você pagará X% e no híbrido Y%.”

Nossa recomendação inicial considera principalmente:

o perfil B2C do mercado da beleza;

a menor relevância do crédito para o consumidor final;

e a simplicidade operacional do modelo tradicional.

Conforme tivermos os parâmetros necessários, será possível complementar essa análise com números e simulações.


Mas no tradicional eu não aproveito créditos das minhas compras?

Esse é um dos principais contrapontos.

Se IBS e CBS permanecerem dentro do Simples, a empresa não entra na sistemática regular de aproveitamento dos créditos desses tributos em suas aquisições.

E isso precisa entrar na conta.

Um salão pode gastar bastante com:

shampoo;

coloração;

tratamentos;

produtos profissionais;

equipamentos;

tecnologia;

materiais e outros insumos.

Uma barbearia também pode ter despesas relevantes com produtos, mercadorias e equipamentos.

No modelo híbrido, determinadas aquisições podem participar da sistemática de créditos, conforme as regras aplicáveis.

Portanto, seria errado afirmar:

“Crédito não importa para salão e barbearia.”

Importa.

O que estamos dizendo é que precisamos colocar créditos, perfil dos clientes, carga tributária e complexidade operacional na mesma balança.


Dois salões podem faturar igual e precisar de decisões diferentes

Imagine dois salões faturando R$ 100 mil por mês.

Salão A

Quase todos os clientes são pessoas físicas.

A maior parte do faturamento vem de serviços.

Possui uma estrutura relativamente simples.

Salão B

Também fatura R$ 100 mil.

Mas vende muitos produtos.

Possui um volume relevante de compras.

Tem custos diferentes.

E uma parte importante dos seus clientes são empresas.

Os dois estão no Simples Nacional.

Os dois faturam exatamente o mesmo valor.

Mas isso não significa que necessariamente terão a mesma decisão tributária.

Faturamento sozinho não determina qual modelo é melhor.

Precisamos entender como a empresa realmente funciona.


E duas barbearias também podem ter cenários diferentes

Imagine uma barbearia com praticamente todos os clientes pessoas físicas.

Agora compare com uma empresa do segmento que possui contratos corporativos relevantes, atende eventos ou presta serviços frequentemente para outras empresas.

A primeira possui uma característica fortemente B2C.

A segunda começa a apresentar uma característica B2B relevante.

Por isso, nossa orientação é geral para o perfil predominante do setor, mas não deve ser aplicada automaticamente a qualquer empresa.

Se você possui uma barbearia, veja também nosso [GUIA ESPECÍFICO SOBRE A REFORMA TRIBUTÁRIA PARA BARBEARIAS], onde mostramos outros pontos importantes para preparação em 2026.


Mas existe uma pergunta ainda mais importante: o Simples continua sendo o melhor regime para sua empresa?

Aqui chegamos a um ponto que pode ser ainda mais importante do que decidir entre tradicional e híbrido.

Até agora partimos de uma premissa:

a empresa continuará no Simples Nacional.

Mas será que essa premissa está correta?

Muitos salões e barbearias começaram pequenos.

Faturavam R$ 20 mil.

Depois R$ 40 mil.

R$ 70 mil.

R$ 100 mil.

R$ 150 mil.

A empresa cresceu, contratou pessoas, aumentou a folha, passou a vender produtos, aumentou as compras e mudou completamente sua estrutura.

Mas existe uma coisa que talvez nunca tenha sido revista:

o regime tributário.

A empresa permanece no Simples porque sempre esteve no Simples.

E isso pode ser um erro.


Estar no Simples não significa que ele seja necessariamente o melhor regime

Existe uma diferença entre:

poder estar no Simples

e

ser vantajoso estar no Simples.

O fato de a empresa continuar dentro dos limites e das condições do regime não significa automaticamente que essa seja a melhor escolha tributária.

Dependendo do faturamento, folha de pagamento, margem, atividades, estrutura de custos, compras e outras características, pode chegar um momento em que outro regime tributário mereça ser considerado.

É justamente por isso que a Reforma Tributária torna o planejamento tributário ainda mais importante.


Antes de escolher tradicional ou híbrido, faça planejamento tributário

Imagine um salão que começou faturando R$ 30 mil por mês.

Anos depois, esse mesmo salão está faturando:

R$ 150 mil por mês.

A folha mudou.

A estrutura mudou.

As compras mudaram.

A venda de produtos cresceu.

A margem mudou.

Os profissionais mudaram.

O negócio mudou.

Mas ninguém voltou a analisar o regime tributário.

Nesse caso, talvez a pergunta:

“Tradicional ou híbrido?”

esteja sendo feita cedo demais.

A pergunta anterior deveria ser:

“O Simples Nacional ainda é o melhor regime para a empresa que tenho hoje?”


O que é planejamento tributário?

Planejamento tributário não significa encontrar uma maneira de não pagar imposto.

Também não significa escolher automaticamente o regime que apresenta a menor alíquota em uma tabela.

Planejamento tributário significa analisar a empresa e comparar, dentro da lei, os cenários disponíveis.

Dependendo das características do negócio, essa análise pode envolver:

Simples Nacional tradicional;

Simples Nacional com IBS e CBS pelo regime regular;

Lucro Presumido;

Lucro Real, quando fizer sentido avaliá-lo.

O objetivo é descobrir qual estrutura é mais adequada para aquela empresa.


O que precisa ser analisado?

Uma análise séria não deveria olhar apenas para o faturamento.

Precisamos considerar fatores como:

faturamento atual e projetado;

folha de pagamento;

margem do negócio;

receitas de serviços e produtos;

volume e perfil das compras;

perfil dos clientes;

estrutura de custos;

possibilidade de créditos;

atividades exercidas;

e os impactos da Reforma Tributária.

É justamente por isso que dois salões faturando R$ 100 mil podem chegar a conclusões diferentes.

A empresa precisa ser analisada como um negócio, não apenas como uma faixa de faturamento.


Uma pergunta que todo empresário deveria fazer

Existe uma pergunta simples que gosto muito para esse momento:

Se eu estivesse abrindo minha empresa hoje, com meu faturamento, estrutura, custos e equipe atuais, escolheria o mesmo regime tributário?

Se a resposta for:

“Não sei.”

Talvez seja hora de fazer um planejamento.

Porque pode ser que a melhor decisão seja o Simples tradicional.

Pode ser que o modelo híbrido mereça análise.

E pode ser que a empresa já esteja em um momento em que outro regime tributário faça mais sentido.


E quando a decisão sobre o híbrido precisa ser tomada?

Essa discussão é importante agora porque não estamos falando de algo distante.

Para o primeiro semestre de 2027, foi estabelecida uma janela entre 1º e 30 de setembro de 2026 para a opção pelo recolhimento regular de IBS e CBS.

Ou seja:

quem quiser adotar o modelo híbrido para o primeiro semestre de 2027 precisa observar essa janela.

Para a empresa já optante pelo Simples que não fizer essa opção, IBS e CBS permanecem dentro da sistemática do Simples nesse período.

Por isso, setembro merece atenção.

Mas a pior coisa que podemos fazer é chegar à data e perguntar apenas:

“Tradicional ou híbrido?”

A análise deveria começar antes.


A decisão da Vegyo não começa pelo tradicional ou híbrido

Para nossos clientes, a análise não deveria começar com uma caixinha perguntando:

“Tradicional ou híbrido?”

Primeiro precisamos olhar para a empresa.

Primeira pergunta:

O Simples Nacional continua sendo adequado para esse negócio?

Se a resposta for sim, avançamos.

Segunda pergunta:

IBS e CBS devem permanecer dentro do Simples ou faz sentido optar pelo modelo híbrido?

Para o perfil predominante dos salões e barbearias B2C que permanecerem no Simples Nacional, nossa orientação inicial será o:

Simples tradicional.

Mas empresas que cresceram, mudaram de estrutura ou possuem características diferentes deveriam aproveitar esse momento para realizar um planejamento tributário mais amplo.

Porque a Reforma Tributária não deveria servir apenas para adaptar a empresa às novas regras.

Ela também é uma oportunidade para verificar se a estrutura tributária escolhida no passado ainda faz sentido para o negócio de hoje.


Perguntas frequentes

O modelo híbrido significa sair do Simples Nacional?

Não.

A empresa continua optante pelo Simples. A diferença está no tratamento de IBS e CBS.

Qual a diferença entre tradicional e híbrido?

No tradicional, IBS e CBS permanecem dentro da sistemática do Simples.

No híbrido, a empresa continua no Simples, mas IBS e CBS passam a seguir o regime regular.

Qual modelo a Vegyo recomenda?

Para salões e barbearias predominantemente B2C que permanecerem no Simples, nossa orientação inicial é o Simples tradicional.

O tradicional será mais barato?

Ainda não podemos afirmar isso de maneira genérica.

A recomendação atual considera principalmente perfil dos clientes e simplicidade operacional, e não uma promessa de menor alíquota.

Se minha empresa cresceu muito, devo continuar no Simples?

Não existe uma resposta automática.

Crescimento de faturamento, folha, margem, compras, atividades e estrutura podem mudar a relação entre os regimes tributários.

Por isso, empresas que cresceram significativamente deveriam realizar planejamento tributário antes de simplesmente repetir a escolha dos anos anteriores.


Tradicional, híbrido ou outro regime: qual é a conclusão?

A principal mensagem deste artigo é que existem duas decisões diferentes.

A primeira:

O Simples Nacional ainda é o regime adequado para minha empresa?

Se a resposta for sim, vem a segunda:

IBS e CBS ficam dentro do Simples ou serão recolhidos pelo regime regular?

Para salões e barbearias predominantemente B2C que permanecerem no Simples, nossa orientação inicial é:

Simples tradicional.

Mas a Reforma Tributária cria um ótimo momento para uma revisão mais ampla.

Seu salão pode ter crescido.

Sua barbearia pode ter mudado.

Seu faturamento pode ter triplicado.

Sua folha pode ser completamente diferente.

Sua venda de produtos pode ter aumentado.

Então por que presumir que o regime tributário escolhido anos atrás continua sendo o melhor hoje?

Em 2026, não faça apenas uma escolha entre tradicional e híbrido.

Faça planejamento tributário.

Porque talvez a melhor decisão não seja simplesmente escolher como permanecer no Simples.

Pode ser descobrir se continuar no Simples ainda faz sentido para o seu negócio.


Continue entendendo a Reforma Tributária

🔗 [Reforma Tributária no Mercado da Beleza: O Que Muda para Salões e Barbearias em 2026 e 2027]

🔗 [Reforma Tributária para Barbearias: 7 Mudanças para se Preparar em 2026]

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